Quimioterapia e radioterapia: qual a diferença e quando cada uma é indicada?

Ana Paula Cardoso • August 12, 2026

Quimioterapia e radioterapia: qual a diferença e quando cada uma é indicada?


Quando o diagnóstico de câncer chega, as palavras quimioterapia e radioterapia normalmente aparecem juntas. Às vezes na mesma consulta. Às vezes no mesmo protocolo de tratamento. E a dúvida que fica é natural: o que cada uma faz, por que existem as duas, e por que em alguns casos o médico indica as duas?


A quimioterapia age no corpo inteiro, já a radioterapia age em um local específico. Essa diferença ajuda a entender o mecanismo, os efeitos colaterais, a frequência do tratamento e a lógica por trás de cada indicação.


O que é radioterapia e como ela age?


A radioterapia usa radiação ionizante indicada para destruir células tumorais. A radiação atinge o DNA das células na região tratada, causando morte celular ao longo do tempo. Os efeitos podem aparecer ao longo de semanas, à medida que as células danificadas tentam se multiplicar e não conseguem.


A diferença essencial em relação à quimioterapia é o alcance. A radioterapia é um tratamento local. Os efeitos colaterais estão relacionados ao local que está sendo tratado, não ao corpo inteiro. 


Quais os efeitos colaterais da radioterapia?


O único efeito colateral que aparece em praticamente todos os pacientes, independente da área tratada, é a fadiga. Mas depende da dose, quando o tratamento é muito focal, os pacientes negam fadiga. Fora isso, os efeitos são locais e proporcionais à região tratada.

O tratamento é feito em sessões. Cada sessão dura minutos dependendo da tecnologia utilizada, e o paciente não sente absolutamente nada durante a aplicação.


O que é quimioterapia e como ela age?


A quimioterapia é qualquer terapia capaz de destruir células em divisão rápida, como as do câncer. Os agentes quimioterápicos entram na corrente sanguínea e circulam pelo organismo inteiro, atuando nas células que estão se multiplicando, independente de onde estejam.


Por circular pelo corpo todo, a quimioterapia consegue alcançar células tumorais que já migraram do tumor original, o que a torna essencial no tratamento de doenças metastáticas ou como estratégia preventiva após uma cirurgia. 


O tratamento é organizado em ciclos. O intervalo entre as sessões é calculado para que as células normais do corpo se recuperem antes da próxima dose. 



Efeitos colaterais: o que muda entre as duas?


Na quimioterapia convencional, os efeitos são sistêmicos porque o medicamento vai impactar várias células que se multiplicam rápido. E isso quer dizer que pode ocorrer queda de glóbulos brancos com redução da imunidade, queda de glóbulos vermelhos com anemia, redução de plaquetas com risco de sangramento, náusea, aftas, diarréia e queda de cabelo em alguns protocolos. A maioria desses efeitos é temporária. 


Já na radioterapia, os efeitos são locais e progressivos. Aparecem ao longo do tratamento, não de uma vez. Um paciente que está na primeira semana raramente sente algo. Na segunda ou terceira semana pode começar a sentir fadiga, algum desconforto na região tratada, irritação de pele. O acompanhamento semanal com o médico radio-oncologista existe justamente para manejar esses sintomas conforme surgem, ajustando o tratamento quando necessário.


Quando a quimio e a radio são usadas juntas?


Em alguns protocolos, quimioterapia e radioterapia são combinadas. A lógica é que certos agentes quimioterápicos aumentam a sensibilidade das células tumorais à radiação, potencializando o efeito local da radioterapia. Isso se chama radiossensibilização, e é uma estratégia usada em tumores de cabeça e pescoço, colo uterino, reto e outros.


Nesse cenário, os efeitos colaterais das duas se somam, e o acompanhamento multidisciplinar é ainda mais importante. A equipe precisa monitorar tanto os efeitos sistêmicos da quimioterapia quanto os efeitos locais da radioterapia de forma simultânea.


Como o médico decide qual usar?


Qual tipo de célula está causando o câncer naquele órgão específico? A mesma localização pode abrigar tipos celulares diferentes, com sensibilidades diferentes a cada tratamento. Qual é a extensão da doença? Se está confinada ao órgão, um tratamento local pode ser suficiente. Se há metástases, o tratamento precisa alcançar outros sítios. E qual é o objetivo do tratamento nesse momento? Curar, reduzir antes de uma cirurgia, controlar depois de uma cirurgia, ou paliar sintomas em doença avançada?


Cada combinação de respostas gera um protocolo diferente, baseado em estudos clínicos e na particularidade de cada tumor e cada paciente.


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Dra. Ana Paula Garcia Cardoso, Médica Oncologista Clínica do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo. É diretora educacional do LACOG- GU (Latin American Collaboration Group for Genitourinary Tumors), membra do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer e colaboradora do portal Oncoguia. Especialista no tratamento de tumores renais (câncer de rim), câncer de próstata, bexiga, testículo, pênis e adrenais (trato geniturinário), com foco em medicina baseada em evidências e no acolhimento integral do paciente. 


Perguntas frequentes sobre quimioterapia e radioterapia


Qual a principal diferença entre quimioterapia e radioterapia?

A principal diferença é o alcance. A quimioterapia circula pelo corpo inteiro e age de forma sistêmica, alcançando células tumorais em qualquer localização. A radioterapia usa radiação em uma área específica e age de forma local. Cada uma tem indicações e objetivos diferentes.


A radioterapia dói?

Não. O paciente não sente nada durante a aplicação da radioterapia. A sessão se assemelha a fazer uma tomografia: deita, fica parado, e a máquina trabalha sem contato físico. 


Quimioterapia e radioterapia podem ser feitas ao mesmo tempo?

Em alguns protocolos, as duas são combinadas de forma intencional. Essa estratégia é chamada de radiossensibilização e é usada em tipos específicos de tumor com indicação estabelecida.



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